A aquisição de novos imunizantes pelo Brasil e pelo Reino Unido evidencia a importância da preparação sanitária diante da circulação internacional do vírus mpox, mesmo após a redução dos casos em relação ao surto de 2022.
1. Brasil e Reino Unido reforçam estratégias de vacinação
Em 5 de novembro de 2026, o Ministério da Saúde brasileiro anunciou a autorização para adquirir até 20 mil doses da vacina contra a mpox, por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
A medida busca recompor os estoques estratégicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e preservar a capacidade de resposta diante de novos casos. Trata-se de uma autorização de aquisição, não de uma confirmação de que todas as doses já foram compradas ou entregues.
A vacinação brasileira é direcionada prioritariamente a grupos com maior risco de desenvolver formas graves, incluindo pessoas vivendo com HIV/aids e imunossupressão acentuada. O esquema previsto compreende duas doses, com intervalo de 28 dias.
O movimento também ocorre em outros países. Em 2 de novembro, a farmacêutica Bavarian Nordic anunciou um contrato de quatro anos com o governo britânico para fornecer vacinas contra mpox e varíola. A quantidade de doses não foi divulgada.
Em escala internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a UNICEF e a aliança Gavi anunciaram, em setembro, uma iniciativa para manter um estoque global de vacinas, permitindo respostas mais rápidas a surtos, especialmente em países com dificuldades de acesso aos imunizantes.
Referências: Ministério da Saúde — 05/11/2026 · Reuters — contrato britânico · OMS — estoque global de vacinas
2. O que é a mpox e como o vírus age no organismo?

(Partículas do vírus mpox observadas por microscopia eletrônica, com colorização digital.)
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo monkeypox virus (MPXV), pertencente ao gênero Orthopoxvirus, o mesmo grupo que inclui o vírus da varíola humana.
O MPXV possui material genético composto por DNA de dupla fita. Diferentemente de muitos vírus de DNA, sua replicação ocorre predominantemente no citoplasma das células infectadas, utilizando proteínas e enzimas codificadas pelo próprio vírus.
Após a entrada no organismo, o agente infeccioso pode se multiplicar nos tecidos e desencadear uma resposta inflamatória. Entre as manifestações clínicas estão febre, aumento dos linfonodos, dores musculares e lesões cutâneas.
O período de incubação geralmente varia de três a 16 dias, podendo alcançar 21 dias. A maioria dos casos apresenta evolução leve ou moderada, mas complicações podem ocorrer, principalmente em pessoas imunocomprometidas.
Referência: Ministério da Saúde — Mpox
3. Transmissão e diversidade genética do vírus

A transmissão ocorre principalmente pelo contato físico próximo com pessoas infectadas, especialmente com lesões cutâneas e secreções corporais. Objetos contaminados e determinadas exposições respiratórias próximas também podem participar da transmissão.
O vírus apresenta diferentes linhagens genéticas, organizadas em dois grandes grupos, denominados clados I e II. Cada grupo possui subdivisões, e suas características epidemiológicas podem variar conforme a população e o contexto de transmissão.
O surto internacional iniciado em 2022 esteve associado principalmente ao clado IIb. Nos anos seguintes, a circulação de variantes do clado I ampliou a atenção das autoridades sanitárias.
A identificação dessas linhagens depende de análises laboratoriais e genômicas. Esse monitoramento permite acompanhar a distribuição do vírus e investigar mudanças nos padrões de transmissão, sem presumir que toda nova variante seja necessariamente mais perigosa.
Referências: CDC — Situação global da mpox, novembro de 2026 · OPAS — Relatório epidemiológico regional
4. Situação epidemiológica: redução de casos não significa eliminação

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 665 casos confirmados de mpox em 2026, conforme os dados divulgados em 5 de novembro. O número representa uma redução de aproximadamente 94% em comparação com 2022, quando foram contabilizados mais de 10 mil casos.
Apesar da queda, a circulação do vírus permanece sob vigilância.
No cenário internacional, a OMS informou que, entre janeiro de 2022 e julho de 2026, foram registrados mais de 190 mil casos confirmados em 145 países e territórios. A África continua concentrando parte importante dos surtos, enquanto casos de diferentes linhagens também são identificados nas Américas e na Europa.
Esses números não indicam, isoladamente, uma nova emergência global. Demonstram, entretanto, que a mpox permanece como um problema de saúde pública que exige diagnóstico, vacinação direcionada e acompanhamento epidemiológico.
Referências: Ministério da Saúde — Dados brasileiros · OMS — Iniciativa global de vacinação
5. Prevenção, diagnóstico e desafios científicos

A prevenção combina vacinação de grupos elegíveis, identificação precoce de casos, orientação de contatos e medidas para reduzir a exposição ao vírus.
A vacinação também pode ser utilizada após uma exposição de risco, mediante avaliação dos serviços de saúde. No Brasil, a recomendação é realizá-la preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato, podendo ser considerada até 14 dias.
O diagnóstico laboratorial é realizado principalmente por métodos moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), que permite identificar material genético viral em amostras clínicas.
O tratamento da maioria dos casos concentra-se no controle dos sintomas e na prevenção de complicações. Paralelamente, pesquisas continuam avaliando terapias antivirais, a duração da proteção imunológica e as diferenças biológicas entre linhagens do MPXV.
A manutenção de estoques de vacinas e a vigilância genômica são, portanto, componentes complementares de uma estratégia de prevenção sustentada por evidências científicas.
Referências: Ministério da Saúde — Orientações clínicas · Nota Técnica nº 403/2026 — Vacinação
New Era | Divisão 7
Nota editorial: artigo elaborado com base em informações oficiais disponíveis até 7 de novembro de 2026. Dados epidemiológicos e recomendações sanitárias podem ser atualizados pelas autoridades de saúde.
Per Vitam, Ad Astra.
